terça-feira, 12 de junho de 2012
O poeta come amendoim
Brasil amado, não porque seja a minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão nosso onde deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas, amores, danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento muito pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir
poema:Mario de Andrade
leitura:Denise Stoklos
domingo, 10 de junho de 2012
Os anos de ti para mim
O teu cabelo
volta a ondular-se quando choro.
Bebemos o que alguém preparou, que não era eu, nem tu,
Com o azul dos teus
olhos, pões a mesa do
nosso amor:
uma cama entre o verão e o outono.
uma cama entre o verão e o outono.
Bebemos o que alguém preparou, que não era eu, nem tu,
nem um terceiro:
Sorvemos o último
vazio.
Miramo-nos nos
espelhos das águas profundas
e passamos mais
depressa um a outro os alimentos:
A noite é a
noite, começa com a manhã,
É ela que me
deita a teu lado.
terça-feira, 29 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Um poema de Jorge Boccanera:
El abejón aletea alredor del búho parado
en el sombrero de la niña que camina
sobre el lomo de caballo que galopa
por el camino polvoriento.
Pero, en verdad,
el abejón, el búho, la niña y el caballo
son figuras inmóviles
y lo único que corre
salvaje
es el camino.
domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
linha da vida
As linhas da mão | Julio Cortázar
De uma carta jogada em cima da mesa sai uma linha que corre pela tábua de pinho e desce por uma perna. Basta olhar bem para descobrir que a linha continua pelo assoalho, sobe pela parede, entra numa lâmina que reproduz um quadro de Boucher, desenha as costas de uma mulher reclinada num divã e afinal foge do quarto pelo teto e desce pelo fio do pára-raios até a rua. Ali é difícil segui-la por causa do trânsito, mas prestando atenção a veremos subir pela roda do ônibus estacionado na esquina e que vai até o porto. Lá ela desce pela meia de náilon da passageira mais loura, entra no território hostil das alfândegas, sobe e rasteja e ziguezagueia até o cais principal, e aí (mas é difícil enxergá-la, só os ratos a seguem para subir a bordo) alcança o navio de turbinas sonoras, corre pelas tábuas do convés de primeira classe, passa com dificuldade a escotilha maior, e numa cabine onde um homem triste bebe conhaque e ouve o apito da partida, sobe pela costura da calça, pelo jaleco, desliza até o cotovelo, e com um derradeiro esforço se insere na palma da mão direita, que nesse instante começa a fechar-se sobre a culatra de um revólver.
domingo, 8 de abril de 2012
COMPANHIA DE VIAGEM
A alma da tua mãe flutua adiante.
A alma da tua mãe ajuda a noite a navegar, escolho após escolho.
A alma da tua mãe fustiga os tubarões à tua frente.
Essa palavra é a disciplina da tua mãe.
A discípula da tua mãe, partilha teu jazigo, pedra a pedra.
A discípula da tua mãe inclina-se para a migalha de luz.
terça-feira, 13 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
A caverna dos sonhos esquecidos
Após assistir o último filme de Werner Herzog "A caverna do sonhos esquecidos"
“Por que o nascimento da arte esteve ligado a uma expedição subterranea?
Por que a arte foi e permanece um sombria aventura?
A arte visual apresentaria um laço com os sonhos, que são eles também visões noturnas?
Vinte e mil anos se passaram: no final do sec XIX a humanidade veio em massa se enterrar e se algomerar nas salas escuras da cinematografia, das camaras de concerto, das salas de teatro.
Por que todos os santuários começam onde a luz do dia como a claridade astral cessam de ser perceptíveis, ali onde a escuridão e a profundidade oculta da terra reinam absolutas?
Por que seria preciso esconder essas imagens (que não são imagens, que a cada vez foram visões, phantasmata, que só surgiram semivisíveis com a ajuda da chama trêmula que repousava na gordura do animal abatido) no escondido da terra?
Por que o pensamento de bisões e de cabritos “fugiu” no momento do recuo das geleiras?
Apresento a especulação própria a esse pequeno tratado na seguinte forma: essas cavernas não são santuários de imagens.
Afirmo que as grutas paleolíticas são instrumentos musicais cujos muros foram decorados.
As pinturas rupestres começam onde cessamos de ver a mão diante do nosso rosto.
Ali onde vemos a cor negra.
O eco é o guia e a referência na escuridão silenciosa onde eles penetram e onde eles buscam as imagens.
O eco é a voz do invisível. Os vivos não veêm os mortos à luz do dia. Enquanto eles os veêm à noite nos sonhos. No eco, o emissor não é encontrado. É o esconde-esconde entre o visível e o audível.
Os primeiros homens pintaram suas visiones nocturnae deixando-se guiar pelas propriedades acústicas de certas paredes.
À luz da lâmpada de gordura, que descobria uma a uma as epifanias bestiais cercadas de sombra, respondiam as músicas litofônicas de calcita.”
(Pascal Quignard)
segunda-feira, 5 de março de 2012
Aquilo levanta-se. O quê? Sim. Dizer que se levanta e fica de pé. Teve de se levantar por fim e ficar de pé. Dizer ossos. Ossos nenhuns mas dizer ossos. Dizer chão. Chão nenhum mas dizer chão. De modo a dizer dor. Mente nenhuma e haver dor? Dizer que sim que os ossos podem doer até não haver alternativa senão levantar. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Ou melhor pior restos. Dizer restos de mente onde nenhuns para permitir a dor. Dor dos ossos até não haver alternativa senão levantar e ficar de pé. Dalgum modo levantar. Dalgum modo ficar de pé. Restos de mente onde nenhuns só para a dor poder haver. Aqui dos ossos. Outros exemplos se preciso for. De dor. Alívio de. Mudança de. Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Mas nunca tão falhada. Pior falhada. Com cuidado nunca pior falhada. Luz obscura origem desconhecida. Sabe-se o mínimo. Não não se saber nada. Seria esperar de mais. Quando muito o mínimo dos mínimos. Maximamente menos que o mínimo dos mínimos.
Não haver alternativa senão ficar de pé. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Dalgum modo ficar de pé. Ou isso ou gemer. O gemido que de longe tão longo vem. Não. Gemido nenhum. Dor simplesmente. Levantado simplesmente. Um tempo para tentar como. Tentar ver. Tentar dizer. Como a princípio esteve deitado. Depois de algum modo se ajoelhou. Pouco a pouco. E em diante a partir daí. Pouco a pouco. Até se levantar por fim. Não agora. Agora falhar melhor pior. Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértice vertical. Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo. Isto não tem futuro. Infelizmente tem. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor. Melhor pior. Melhor caminhar. Caminhar parar. Parar sentar. Sentar deitar. Deitar dormir. Dormir sonhar. Sonhar caminhar.
Não haver alternativa senão ficar de pé. Dalgum modo levantar e ficar de pé. Dalgum modo ficar de pé. Ou isso ou gemer. O gemido que de longe tão longo vem. Não. Gemido nenhum. Dor simplesmente. Levantado simplesmente. Um tempo para tentar como. Tentar ver. Tentar dizer. Como a princípio esteve deitado. Depois de algum modo se ajoelhou. Pouco a pouco. E em diante a partir daí. Pouco a pouco. Até se levantar por fim. Não agora. Agora falhar melhor pior. Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértice vertical. Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo. Isto não tem futuro. Infelizmente tem. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor. Melhor pior. Melhor caminhar. Caminhar parar. Parar sentar. Sentar deitar. Deitar dormir. Dormir sonhar. Sonhar caminhar.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
El hombre imaginario
El hombre imaginario
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario
De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios
Todas las tardes tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario
Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar
el corazón del hombre imaginario.
Nicanor Parra. O Antipoeta.
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario
De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios
Todas las tardes tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario
Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar
el corazón del hombre imaginario.
Nicanor Parra. O Antipoeta.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Song to the Siren
Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me, sail to me
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me ?
Were you hare when I was fox ?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing
'Touch me not, touch me not
Come back tomorrow
Oh my heart, oh my heart
Shies from the sorrow'
I am puzzled as the oyster
I am troubled as the tide
Should I stand amid your breakers ?
Or should I lie with death my bride ?
Hear me sing
'Swim to me, swim to me
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you'
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Progresso em direção ao menos:
Protagonista à margem e sem descanso,
entrópico, expulso e sempre a caminho.
Tentar de novo.
Falhar de novo.
Falhar melhor.
entrópico, expulso e sempre a caminho.
Tentar de novo.
Falhar de novo.
Falhar melhor.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras
Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal
A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia.
(Cazuza)
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia.
(Cazuza)
Os passistas
Vem,
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Ás vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.
Eu vou pousar a mão no teu quadril
Multiplicar-te os pés por muitos mil
Fita o céu,
Roda:
A dor
Define nossa vida toda
Mas estes passos lançam moda
E dirão ao mundo por onde ir.
Ás vezes tu te voltas para mim
Na dança, sem te dares conta enfim
Que também
Amas
Mas, ah!
Somos apenas dois mulatos
Fazendo poses nos retratos
Que a luz da vida imprimiu de nós.
Se desbotássemos, outros revelar-nos-íamos no Carnaval.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça "a beleza total, vem.
Roubemo-nos ao deus Tempo e nos demos de graça "a beleza total, vem.
Nós,
Cartão Postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
Cartão Postal com touros em Madri,
O Corcovado e o Redentor daqui,
Salvador,
Roma
Amor,
Onde quer que estejamos juntos
Multiplicar-se-ão assuntos de mãos e pés
E desvãos do ser.
(Caetano Veloso)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Tema de Verão. Por que não?
"A música é a coisa mais doce do mundo. Adoro o som de notas musicais. Correria mil léguas só para ouvir uma. Muitas vezes, no verão, quando passeio pelas ruas e ouço o som de um piano vindo de uma casa desconhecida, paro, pronto a morrer logo ali. (...) Um piano, acho eu, é o que soa com mais encanto. Mesmo nas mãos de um amador. Não é a interpretação que escuto, apenas o som. Nunca poderia ser músico. Porque fazer música nunca seria suficientemente doce, suficientemente inebriante para mim. Ouvir música é, de longe, mais espiritual. A música deixa-me sempre triste, mas triste no sentido em que um sorriso triste é triste. Uma tristeza simpática, é o que quero dizer. A música mais alegre não é alegre para mim e a mais melancólica não me toca com particular melancolia ou desânimo. Ao ouvir música, tenho sempre a mesma impressão: falta qualquer coisa. Nunca descobrirei a causa desta suave tristeza, nunca hei-de investigá-la. Não desejo saber o que é. Não desejo saber tudo. Inteligente, como penso que sou, tenho, no entanto, por assim dizer, pouca sede de conhecimento. Desconfio que é por eu ser, por natureza, o oposto de curioso. Sinto-me perfeitamente feliz deixando todas as coisas em meu redor correrem sem preocupar a minha cabeça com o modo como acontecem. De certeza que isto é deplorável e não me ajudará a seguir uma carreira (...)"
Robert Walser (Trecho do diário do escritor suíço com o título A Música)
Robert Walser (Trecho do diário do escritor suíço com o título A Música)
SEM VITÓRIA, VIVES COMIGO,
pequena
e carregada.
Só lá fora, onde
as nossas almas ainda estão, na terra de ninguém,
é que se canta. Canta-se
no brilho
daquilo que passou ao nosso lado.
Nem nuvem, nem estrela - nós
não olhamos para cima.
Chega-te mais, anda:
para que não sopre suas vezes o vento
através da nossa
casa aberta.
pequena
e carregada.
Só lá fora, onde
as nossas almas ainda estão, na terra de ninguém,
é que se canta. Canta-se
no brilho
daquilo que passou ao nosso lado.
Nem nuvem, nem estrela - nós
não olhamos para cima.
Chega-te mais, anda:
para que não sopre suas vezes o vento
através da nossa
casa aberta.
domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
NÃO TE APAGUES TOTALMENTE – COMO OUTROS FIZERAM
antes de ti, antes de mim,
a casa, depois da chuva de flores em botão,
depois, do
abraço,
expande-se sobre nós,
enquanto a pedra
cria raízes,
um candelabro, grande e solitário,
emerge também,
reconhece,
quando a taça, toda de pórfiro,
estala, como
tudo está cheio de coisas
ocultas, inevitáveis,
fica a saber
onde estão agora os olhos abertos,
de manhã, ao meio-dia, à tarde, à noite.
antes de ti, antes de mim,
a casa, depois da chuva de flores em botão,
depois, do
abraço,
expande-se sobre nós,
enquanto a pedra
cria raízes,
um candelabro, grande e solitário,
emerge também,
reconhece,
quando a taça, toda de pórfiro,
estala, como
tudo está cheio de coisas
ocultas, inevitáveis,
fica a saber
onde estão agora os olhos abertos,
de manhã, ao meio-dia, à tarde, à noite.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
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